terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Guerreiro Solitário - Parte 1


Seus passos não abalam a passagem.
Seus lábios secos são frutos do tempo.
E sua roupa rasgada, da batalha recente.

Nada o faz parar, nada o faz temer.
Nem a fúria divina, que mandou o sol
cegar seu caminho.

Nada o faz parar. Nem a derrota recente.
O caminho de volta pra casa é sempre o mais doloroso,
mais vergonhoso, o mais rápido.

Um atalho para a misericórdia.
A força que lhe restou só serviu para se levantar.
E caminhar.
Caminhar.
Caminhar, sem olhar pra trás.

'O que tenho em meus bolsos?', se pergunta.
puxa a mão e a olha.
'Claro.', pensa, se lembrando de tudo.
Uma foto antiga amaçada em suas mãos
representa a única coisa que o fez lutar tanto.
Lutar.
Lutar.

E voltar pra casa.

I.N.

CHUVA



Sinto o vento frio que entra pela janela aberta
O Aroma suave da terra molhada indicando chuva
Chuva essa que demorou a voltar
Regressar...
Se foi há muito e não vi
Só percebi sua falta quando doeu em minha pele
O calor escaldante quase insuportável
Que antes eu não sentia
Não precisava estar caindo
Só sua presença umidecia meu ar
Me fazia respirar melhor, viver melhor
Amar...
Agora ela volta, mas não sei se fica.
Já não é tempo de chuva, e ela não quer ficar.
Me ouviu dizer muitas besteiras.
Me viu não enxergar suas qualidades.
Não a vi por perto e nem senti sua falta.
Já não é tempo de chuva.
Já não há nada a fazer.
Só me restou o tempo...
Quem sabe ela não volta de vez!
I.N.