sábado, 30 de maio de 2015

Quase

Certo de que o sol alguma hora nasce
Me contento em saber que o meu esforço não pereceu
Diante das dificuldades que colocamos
Perante as respostas que nunca ouvi

Contemplo o horizonte distante que tenho a frente
Desmonto armadilhas fáceis de presas burras
Sigo por caminhos tortuosos, porém, seguros
Me meto em tentar desfazer o nunca feito

Não fui eu quem colocou formigas no teu bolo
Muito menos sequei suas fontes de água

Pelo contrário...

Tentei encher sua vida de bons motivos
Coloquei em seus bolsos moedas de confiança
Pintei a fachada do seu lar com boas vindas
Costurei em seu tapete declarações de futuros belos

Se me perguntarem PQ estou sentado aqui
Direi somente que estou esperando
A resposta, a esmola, a chuva...
Esperando algo de fato acontecer
Um momento que me faça crer

Espero a brisa bater em meu rosto
Como aquele beijo meio cheiro que te dei
Paciente, penso no amanhã
Um misto de vontade e desejo, ansiedade e caos, insanidade e destreza

Quase certo e quase tão errado
Que passa a ser tão quase tudo...
Num meio de um quase nada.

A única diferença é que ser tudo é o mesmo de ser nada.
E nada não é algo que estou lutando pra ser ao seu lado.

Agora olhe:
Nosso ônibus chegou!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Prometo somente o palpável

"Como se eu fizesse questão de seguir seus passos a todo canto, ouvir sua voz a todo receptor e conduzir você pelos mesmos caminhos errados que tive.
Você me entendeu mal.
Quero estar no fim de seus passos, podendo comemorar junto sua chegada. Quero ouvir sua voz pelo menos uma vez todos os dias de minha vida. Libertando meus anseios de sua ausência.
E espero que você mesma me conduza por um caminho que não será de erros ou arrependimentos, mas sim de vida! De paz!
Deixe me te levar!
Porque assim teremos a coragem de sair no mundo a procura do que sempre buscamos:
Nada tão convencional ao ponto de desistirmos de nós dois. "

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Me Deixe Tentar

Quantos passos um homem tem que dar
Pra perceber que o improvável é logo ali?
Quantas canções cantadas sozinho
Terão de sobressair ao seu silêncio?

Não há razão para complicações
Além daquelas que já são inerentes às situações
São tantas formas de luta
São tantos caminhos a seguir
Que me recuso a crer que o mais difícil
Será o mais provável de acontecer

Façamos nosso destino
Construiremos nossas escadas
Libertaremos nossos medos
Para que possamos desfrutar um pouco mais da vida
Nada precisa ser mais penoso do que já é
Tudo pode ser perfeito aos olhos de quem quer
Tudo pode acontecer a seu tempo
Se assim fizermos nosso próprio tempo
Nosso próprio espaço
Nosso próprio sonho

Me ajude a libertar minhas mãos
Pois sozinho estou tendo que lidar com muito
Me encontre do outro lado da rua
Para que possamos subir essa rua escura
Em nossa companhia, apenas
Deixe que os outros sumam de vista
Não precisamos agora de mais ninguém

Basta confiar!
E se for difícil pra você, confie no seu instinto
E se mesmo assim a dúvida prevalecer,
Lembre se de algo que eu te disse:
Quero que sinta um terço do que me fazes sentir!
Pare!
Feche os olhos.
Não desvie.
Estou há 14 níveis já.
Suas mãos tremem.
Meu peito arde.
Sua boca ri.
A minha deseja.
Te beijo...
Silêncio!

Nada mais temos a dizer a não ser:
"Te vejo amanhã "

E esse amanhã será eterno!!!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O dia em que roubaram meus dias


Acordar e perceber que não necessariamente é o amanha em que você esperava acordar.
Parece louco, psicodélico,insano, mas foi assim mesmo que me senti.
Me levantei sabendo que um novo dia não havia surgido em minha vida.
Estava preso na mesma sensação do dia anterior, das noites anteriores.
Não saberia nem ao menos dizer quantos dias não haviam se passado.
E se passaram, quantos ciclos teria perdido aqui.
O mesmo cheiro de desinfetante impregnado no nariz.
O mesmo gosto amargo de conhaque na boca.
A mesma sede insaciável.
A mesma quase fome que quase faz a barriga roncar numa madrugada solitária.
O mesmo trecho de música tocando em loop na cabeça.
A mesma vida..
Levantei-me e fui andar pela casa.
Tudo parecia tão igual e imutável.
Estava tudo ali como deveria estar.
Como uma fotografia revelada em tamanho normal que eu já decorara há anos.
Olhei para meu reflexo no espelho perfeitamente polido e claro.
Lá estava eu mesmo.
Por um instante senti um alivio ao ver que estava mesmo ali.
Depois notei que não saberia dizer há quantos dias eu estava vestindo aquela bermuda amarrotada e aquela blusa preta sem estampas.
Dei uma cheirada na blusa.
Um tom de amaciante bem de leve.
Sinal de que de alguma maneira ainda limpa.
Foquei um pouco mais em meu rosto, olhando cada detalhe daquela expressão torta.
Quantos anos de verdade eu tinha?
Por uma fração de segundo vi um outro reflexo no espelho.
Um outro eu.
Mais jovial.
Mais altivo.
Mais espontâneo.
Me olhou com firmeza.
Um sorriso no canto da boca.
Intrigado, desviei o olhar.
O que teria sido aquilo?
voltei para o quarto e me deitei.
Pensativo, passei a olhar mais ao redor.
Porque nunca mudei esses móveis de lugar ou troquei esse quadro antigo e sem propósito que esta ha anos preso na parede?
Olhei meus pés: limpos e lisos.
Olhei minhas mãos: macias como algodão.
Uma olhadela rápida pra estante de livros: intacta e empoeirada.
Evitei até então olhar para o porta retratos na escrivaninha, mas agora não tinha mas jeito.
E como eu já sabia, la estava a foto de alguém que eu nunca mais viria na vida.
Estava la como um selo, uma etiqueta, um código de barras que contem todas as informações necessárias para se entender sobre um produto.
Nesse caso, entendi a mim mesmo.
Levantei me, tirei todas as minhas roupas.
Nu, abri o guarda roupas  procurando por aquela camiseta que ganhei no ultimo natal que nunca tinha usado.
Pequei uma calça que não costumo vestir e a separei a também.
De volta ao banheiro, fiz a barba, cortei as unhas e me joguei embaixo do chuveiro.
Fiquei por horas ali me limpando, me purificando.
Numa ideia louca de trocar de pele a todo custo.
Sai e fui me vesti.
Liguei o computador, procurei pelo CD do Gloom, banda que uma amiga havia me indicado ha um tempo atras mais que nunca tinha tido a iniciativa de buscar conhecer.
Coloquei o volume no máximo.
Curti aquela primeira musica como se fosse um prato saboroso.
Deixei o som rolar e comecei a reorganizar meu quarto.
Mudei livros, posição das coisas, joguei algumas fora, coloquei outras em destaque.
O antigo quadro não tem mais espaço ali.
O porta retratos tão pouco.
Do quarto, passei pra casa.
O CD rodando sem parar.
Gastei 4 horas.
Tudo mudado.
Tomei outro banho e fui na rua.
Comprei algumas roupas novas, cortei meu cabelo, mudei meu perfume.
Na volta pra casa, passei por outro caminho.
Observei ao redor, os prédios, as poucas arvores, os pássaros lutando para se encaixar em postes.
Transeuntes sem rostos esbarrando em outros transeuntes.
O sol brilhando fraco, mas preciso.
Uma brisa leve denunciando uma possível chuva.
Um "boa tarde" perdido entre a frieza dos vizinhos.
Entrei.
Coloquei novas roupas, usei um novo perfume, ouvi novamente aquela primeira musica.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem pra uma pessoa que há tempos não via.
Mas que no fundo eu sabia, estava aguardando um contato meu:
"Que dia é hoje?"
5 minutos depois, a resposta:
"Sexta-Feira"
Mandei:
"Qual dia deveria ser?"
Demorou um pouco mais dessa vez, mas veio com a resposta que eu esperava de alguém como ela:
"O Bom humor voltou a reinar ai na Fortaleza Abandonada?"
Pronto!
Era o que eu precisava.
Naquela noite não ficaria em casa sozinho.
Muito menos voltaria tão cedo.
Cheguei de madrugada, com um sorriso no rosto e cantarolando o refrão da musica que ouvi mas cedo.
Fui dormir pensando no dia.
E com a certeza que nunca mais voltaria a vê-lo.
Eu me fiz o novo dia.
Eu me fiz a vida!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Nego

Não nego o que sinto sempre que te vejo
Só não espero prosperar nessa inquietude
Não faço alardes quando vejo seu rosto
Mas no fundo, minha alma sorri quando te encontro

Fico horas na imensidão dos pensamentos
Esperando encontrar motivos pra te mostrar
Que tudo aquilo que posso ter sido antes
Não suportaria uma grama de sua beleza em minha vida

Te encaro como o mais raro tesouro da terra
Beleza essa que me cega só de pensar
Pois os frutos de tua recente ausência
Me deixaria parado por muito tempo no mesmo lugar

Já desejei não desejar seus olhos
Já procurei me afastar de seus lábios
Já me comportei bem demais pra receber o que não posso
Porém me perco a cada sonho não sonhado

Se um dia eu for o que espero não ser
Queria somente ser esse eu ao seu lado
Te fazer feliz com uma simples palavra
Te fazer sentir o mundo como o criador sentiu ao te criar

Não apago seus rastros por mero fetiche
Pois eu sei que não posso poder mais nada
E que em algum lugar você iria imaginar
Como seria sua vida se eu simplesmente te abraçasse...

E não mais largasse

terça-feira, 5 de maio de 2015

Um Pedaço de Sonho

Desperto de um sonho acordado
Sonho indecifrável
Olhos fechados de ilusão
Iluminação fraca de um fim de tarde vazio
Acordo e me ponho de pé
Fiquei muito tempo sentado tentando entender
O que cada objeto sem brilho queria me dizer
Ou onde cada palavra sua queria tocar
Vivo, logo volto!
De volta ao sonho, já não sei o que é real
De volta à vida, já não sei quem sou eu
Ou quem é você
Ou o que somos nós, afinal

Só me lembro de ter fechado bem as janelas
Para que o vento frio da madrugada não te fizesse arrepiar
Pois sem cobertores, somente eu poderia te aquecer
Falaria coisas que deixariam seu coração fervendo
Clamando por mais sonhos
Me chamando pra mais perto
Me abrindo cada vez mais
E me dando aos poucos a confiança pra mostrar

Que pra você, eu não preciso ser muito mais do que sou
E que pra mim, só sua existência já basta Pra que eu deseje mais esse real do que o meu já confiável sonho

Por que prefiro sofrer as dores físicas acordado
Ao invés de encarar um mundo onde você não exista tão perto de mim