terça-feira, 18 de agosto de 2015

Um Dia

Um dia você vai se lembrar de todas as vezes que te fiz sorrir.
De todas as canções que sussurrei em seu ouvido.
De todos os abraços que te dei tentando te aquecer.
Tentando te proteger da dor.
Tentando de convencer sobre o meu amor.

Um dia você vai se lembrar das conversas que tivemos.
Dos segredos mal contados.
Das distâncias percorridas
em busca de um novo encontro.
Dos prazeres quase santos que tentamos não negar.

Um dia você vai se lembrar das dúvidas que tinha sobre nós.
Das fugas de você mesma.
Das desculpas dadas por medo.
Das ilusões criadas por defesa.
Do tempo perdido quando jovens.

Mas um dia eu vou acordar e te ver ao meu lado.
Pensativa, distante.
Preocupado, irei perguntar o que se passa.
Você irá sorrir e me dizer:
---Estava lembrando do nosso começo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Voar e Voltar

Observava atentamente ao seu redor.
Nada passava sem ser notado por ela.
Atenta!
Julgada muitas vezes como insensível, pois sua atenção era voltada para tudo,
não somente a detalhes triviais.
Símbolo da serenidade.
Figura da sabedoria.
Estranhamente fixa em seus instintos.
Por muitas vezes, ela mesma se sentia intransponível.
Inabalável.
Sabia em seu âmago que as forças que precisava estavam sempre a mostra.
Uma defesa natural inconsciente.
Sempre pronta para o nada.
Sabedoria antiga.
Mas há coisas que simplesmente acontecem.
Previsões não são pra esse nosso sério mundo.
E muito menos se prevenir para não se abalar.
Abalou...
Onde antes havia serenidade, agora morava uma pequena tristeza.
No ninho construído para se proteger, hoje estava a sufocando.
Seus olhos continuavam fixos.
Fixos, mas distantes.
Estavam longe em pensamento.
Estavam perto em sentimento.
Estavam vivos em memória.
Um momento de aflição e então usou suas asas.
Quase as esquecia, pois não tinha necessidade de voar.
Tudo o que queria estava ali ao seu lado.
Porém as vezes sente essa necessidade de planar sobre a vida.
De se isolar no alto.
Tentando, quem sabe, extrair um pouco da dor que lhe aflige.
Sabe que há outras como ela por ali.
Sabe disso.
Sabe que as tem com muito carinho.
Mas voar... Voar é fugir.
E era disso que precisava.
Sentiu o vento no rostos.
Fechou um pouco os olhos.
Imaginou o mundo por inteiro.
Apequenou se.
Diminuíram os problemas.
Diminuiu a pressão em seus pés.
Relaxou...
Mas não soube voltar de vez.
Pousou nos restos de uma velha árvore. Árvore que um dia foi magnânima.
Imaginou por um tempo tudo o que poderia ter dito pra ela e não disse.
Sentada sobre ela, só soube lamentar e se culpar por não ter tido a idéia de ter vindo antes, quando a árvore ainda estaria ali.
Se viu em seus galhos, segura, contemplando o horizonte.
Imaginou sussurros e conselhos, histórias contadas, talvez um novo nínho...
Chorou.
Ficou dias ali.
O tempo passa pra todos.
Olhou pra cima e viu amigos voando pra perto. A sua procura.
Pensou em fugir de novo, se esconder.
Não estava pronta pra ninguém.
Se lembrou da árvore em que estava.
Olhou de volta pros amigos.
Partiu ao encontro deles.
Mas sem antes dar uma última olhada pra árvore.
Chorou de novo.
Só que dessa vez de alegria.
Entendeu que há coisas que não podemos fazer.
Que há muito mais a ser feito nesse mundo.
Parar e se isolar não era seu papel.
Seu papel ali era bem maior.
Se juntou aos outros, voaram por horas.
Sentiu de novo o vento no rosto.
Viu ao longe outra árvore, mas essa bem mais jovem e robusta.
Pousaram todos e contemplaram o por do sol.
Ela se afastou um pouco, virou para o lado e dali ainda dava pra ver a velha árvore.
Sorriu pra ela.
Nunca iria se esquecer.
E nem queria mais.
.
.
.
.
.
Muito tempo depois, outra coruja pousou naquela mesma árvore velha.
E se lembrou de todas as histórias que foram cortadas por anos e anos...
Boas histórias, somente.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Desencontros

Perdi meus passos na ida ao seu encontro
Perdi a palavra
Perdi o fio da miada
Esqueci o texto
Me enrolei em minhas pernas
Fingi que sabia o que fazer
E acabei não fazendo nada

Fui direto ao ponto
Mas nada encontrei
Tentei voltar para onde estava
E me deparei com o vazio.

Onde eu estava antes de você chegar?

Encontre meios de ser mais forte
Forcei a porta tentando entrar
Sofri ao saber que na verdade
Eu já estava aqui

Eu já estive aqui
Só que com outras roupas
Outras faces
Outros sonhos.

Gritei seu nome pelos quatro cantos
Te procurei por todos os lugares
Iluminei cantos escuros tentando te achar
Chorei por dias no silêncio de sua casa

Juntei meus trapos e parti de volta
Lembrei na porta que não tinha mais lar
Onde você estivesse seria meu lugar
Decidi ficar e recepcionar sua chegada.

Tempos depois ouvi de sua boca que, na verdade, você sempre esteve ali.

Mas esperou que eu provasse a mim mesmo que valeria a pena aquela viagem.
Pra que no fim fizesse valer a pena uma vida inteira!

sábado, 30 de maio de 2015

Quase

Certo de que o sol alguma hora nasce
Me contento em saber que o meu esforço não pereceu
Diante das dificuldades que colocamos
Perante as respostas que nunca ouvi

Contemplo o horizonte distante que tenho a frente
Desmonto armadilhas fáceis de presas burras
Sigo por caminhos tortuosos, porém, seguros
Me meto em tentar desfazer o nunca feito

Não fui eu quem colocou formigas no teu bolo
Muito menos sequei suas fontes de água

Pelo contrário...

Tentei encher sua vida de bons motivos
Coloquei em seus bolsos moedas de confiança
Pintei a fachada do seu lar com boas vindas
Costurei em seu tapete declarações de futuros belos

Se me perguntarem PQ estou sentado aqui
Direi somente que estou esperando
A resposta, a esmola, a chuva...
Esperando algo de fato acontecer
Um momento que me faça crer

Espero a brisa bater em meu rosto
Como aquele beijo meio cheiro que te dei
Paciente, penso no amanhã
Um misto de vontade e desejo, ansiedade e caos, insanidade e destreza

Quase certo e quase tão errado
Que passa a ser tão quase tudo...
Num meio de um quase nada.

A única diferença é que ser tudo é o mesmo de ser nada.
E nada não é algo que estou lutando pra ser ao seu lado.

Agora olhe:
Nosso ônibus chegou!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Prometo somente o palpável

"Como se eu fizesse questão de seguir seus passos a todo canto, ouvir sua voz a todo receptor e conduzir você pelos mesmos caminhos errados que tive.
Você me entendeu mal.
Quero estar no fim de seus passos, podendo comemorar junto sua chegada. Quero ouvir sua voz pelo menos uma vez todos os dias de minha vida. Libertando meus anseios de sua ausência.
E espero que você mesma me conduza por um caminho que não será de erros ou arrependimentos, mas sim de vida! De paz!
Deixe me te levar!
Porque assim teremos a coragem de sair no mundo a procura do que sempre buscamos:
Nada tão convencional ao ponto de desistirmos de nós dois. "

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Me Deixe Tentar

Quantos passos um homem tem que dar
Pra perceber que o improvável é logo ali?
Quantas canções cantadas sozinho
Terão de sobressair ao seu silêncio?

Não há razão para complicações
Além daquelas que já são inerentes às situações
São tantas formas de luta
São tantos caminhos a seguir
Que me recuso a crer que o mais difícil
Será o mais provável de acontecer

Façamos nosso destino
Construiremos nossas escadas
Libertaremos nossos medos
Para que possamos desfrutar um pouco mais da vida
Nada precisa ser mais penoso do que já é
Tudo pode ser perfeito aos olhos de quem quer
Tudo pode acontecer a seu tempo
Se assim fizermos nosso próprio tempo
Nosso próprio espaço
Nosso próprio sonho

Me ajude a libertar minhas mãos
Pois sozinho estou tendo que lidar com muito
Me encontre do outro lado da rua
Para que possamos subir essa rua escura
Em nossa companhia, apenas
Deixe que os outros sumam de vista
Não precisamos agora de mais ninguém

Basta confiar!
E se for difícil pra você, confie no seu instinto
E se mesmo assim a dúvida prevalecer,
Lembre se de algo que eu te disse:
Quero que sinta um terço do que me fazes sentir!
Pare!
Feche os olhos.
Não desvie.
Estou há 14 níveis já.
Suas mãos tremem.
Meu peito arde.
Sua boca ri.
A minha deseja.
Te beijo...
Silêncio!

Nada mais temos a dizer a não ser:
"Te vejo amanhã "

E esse amanhã será eterno!!!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O dia em que roubaram meus dias


Acordar e perceber que não necessariamente é o amanha em que você esperava acordar.
Parece louco, psicodélico,insano, mas foi assim mesmo que me senti.
Me levantei sabendo que um novo dia não havia surgido em minha vida.
Estava preso na mesma sensação do dia anterior, das noites anteriores.
Não saberia nem ao menos dizer quantos dias não haviam se passado.
E se passaram, quantos ciclos teria perdido aqui.
O mesmo cheiro de desinfetante impregnado no nariz.
O mesmo gosto amargo de conhaque na boca.
A mesma sede insaciável.
A mesma quase fome que quase faz a barriga roncar numa madrugada solitária.
O mesmo trecho de música tocando em loop na cabeça.
A mesma vida..
Levantei-me e fui andar pela casa.
Tudo parecia tão igual e imutável.
Estava tudo ali como deveria estar.
Como uma fotografia revelada em tamanho normal que eu já decorara há anos.
Olhei para meu reflexo no espelho perfeitamente polido e claro.
Lá estava eu mesmo.
Por um instante senti um alivio ao ver que estava mesmo ali.
Depois notei que não saberia dizer há quantos dias eu estava vestindo aquela bermuda amarrotada e aquela blusa preta sem estampas.
Dei uma cheirada na blusa.
Um tom de amaciante bem de leve.
Sinal de que de alguma maneira ainda limpa.
Foquei um pouco mais em meu rosto, olhando cada detalhe daquela expressão torta.
Quantos anos de verdade eu tinha?
Por uma fração de segundo vi um outro reflexo no espelho.
Um outro eu.
Mais jovial.
Mais altivo.
Mais espontâneo.
Me olhou com firmeza.
Um sorriso no canto da boca.
Intrigado, desviei o olhar.
O que teria sido aquilo?
voltei para o quarto e me deitei.
Pensativo, passei a olhar mais ao redor.
Porque nunca mudei esses móveis de lugar ou troquei esse quadro antigo e sem propósito que esta ha anos preso na parede?
Olhei meus pés: limpos e lisos.
Olhei minhas mãos: macias como algodão.
Uma olhadela rápida pra estante de livros: intacta e empoeirada.
Evitei até então olhar para o porta retratos na escrivaninha, mas agora não tinha mas jeito.
E como eu já sabia, la estava a foto de alguém que eu nunca mais viria na vida.
Estava la como um selo, uma etiqueta, um código de barras que contem todas as informações necessárias para se entender sobre um produto.
Nesse caso, entendi a mim mesmo.
Levantei me, tirei todas as minhas roupas.
Nu, abri o guarda roupas  procurando por aquela camiseta que ganhei no ultimo natal que nunca tinha usado.
Pequei uma calça que não costumo vestir e a separei a também.
De volta ao banheiro, fiz a barba, cortei as unhas e me joguei embaixo do chuveiro.
Fiquei por horas ali me limpando, me purificando.
Numa ideia louca de trocar de pele a todo custo.
Sai e fui me vesti.
Liguei o computador, procurei pelo CD do Gloom, banda que uma amiga havia me indicado ha um tempo atras mais que nunca tinha tido a iniciativa de buscar conhecer.
Coloquei o volume no máximo.
Curti aquela primeira musica como se fosse um prato saboroso.
Deixei o som rolar e comecei a reorganizar meu quarto.
Mudei livros, posição das coisas, joguei algumas fora, coloquei outras em destaque.
O antigo quadro não tem mais espaço ali.
O porta retratos tão pouco.
Do quarto, passei pra casa.
O CD rodando sem parar.
Gastei 4 horas.
Tudo mudado.
Tomei outro banho e fui na rua.
Comprei algumas roupas novas, cortei meu cabelo, mudei meu perfume.
Na volta pra casa, passei por outro caminho.
Observei ao redor, os prédios, as poucas arvores, os pássaros lutando para se encaixar em postes.
Transeuntes sem rostos esbarrando em outros transeuntes.
O sol brilhando fraco, mas preciso.
Uma brisa leve denunciando uma possível chuva.
Um "boa tarde" perdido entre a frieza dos vizinhos.
Entrei.
Coloquei novas roupas, usei um novo perfume, ouvi novamente aquela primeira musica.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem pra uma pessoa que há tempos não via.
Mas que no fundo eu sabia, estava aguardando um contato meu:
"Que dia é hoje?"
5 minutos depois, a resposta:
"Sexta-Feira"
Mandei:
"Qual dia deveria ser?"
Demorou um pouco mais dessa vez, mas veio com a resposta que eu esperava de alguém como ela:
"O Bom humor voltou a reinar ai na Fortaleza Abandonada?"
Pronto!
Era o que eu precisava.
Naquela noite não ficaria em casa sozinho.
Muito menos voltaria tão cedo.
Cheguei de madrugada, com um sorriso no rosto e cantarolando o refrão da musica que ouvi mas cedo.
Fui dormir pensando no dia.
E com a certeza que nunca mais voltaria a vê-lo.
Eu me fiz o novo dia.
Eu me fiz a vida!