terça-feira, 12 de novembro de 2013

Trecho - Antes das Seis - "O Tempo"



"Não sei o que doe mais: acordar um dia e descobrir que não sentes nada de mais por mim. Que tudo isso que vivemos, pra você, não passou de um mata-tédio e que não significo nada demais ao seu coração. Ou, depois de um tempo, você virar pra mim e dizer que realmente me queria. Que naquele tempo não entendia ao certo o que sentia e que se arrepende de não ter se jogado no nosso caso.
Em qualquer caso, nós dois saímos perdendo...
Eu, por te amar.
Você por não se permitir.
Ficaremos aqui... sem saída!"

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A mais bela Flor

Navego no negro dos teus longos cabelos
e me imagino subindo até a nascente desse rio
Me vejo lambuzado de vermelho intenso
Quando em minha mente vem seus deliciosos lábios

Sei que o que sente ao deitar não representa
Nem um décimo da grandeza de sua alma
E que os anseios de seu viver
Não merecem a duvida de ser feliz

Caio por completo quando sinto o seu perfume
Doce, intenso, subjetivo
Como se precisasse elevar a mente a outro estagio
Pra embriagar me desse seu cheiro

Te falo coisas ao ouvido que só diria se fosse louco
te ouço sussurrar frases sem sentido
Mas que em meu interior faz muito mais
Do que qualquer nota bem tocada de violino

Te ascendo nesse meu escuro
E te faço a única estrela a brilhar
Te convido a descer de seu trono astral
Somente pra te observar mais de perto

Egoísmo!

Não será em vão minha jornada
Nem mesmo será pelo acaso

Quando me adentrei nesse deserto
Achei que nunca encontraria o seu fim
Mas depois de tempos procurando
Encontrei, espantado, algo a reluzir no meio do nada

E me questionei por dias a possibilidade
De uma flor tão linda poder crescer ali, no seco
E brilhar tão forte ao ponto de afugentar
Todos os medos e trazer de volta a beleza

Em um lugar tão sombrio!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Pedaços...

Dividiram você em 3 partes
Somente uma me agrada
As outras duas são reflexos daquilo que você não quer ser
Mas insite em alimentar

Suas dúvidas são sombras pesadas nos seus olhos
Que não enxergam o caminho a frente
Que não deixam seus passos fluirem
Que não acredita que estou sempre ao seu lado

Dividiram meu coração em duas partes
A maior insiste em querer lutar
Te buscar da melhor maneira
E te fazer feliz como merece

A outra martela diariamente que devo ir
Te deixar acordar por si mesma
Te fazer sentir minha falta
Pra so depois tentar algo ao nosso prazer

São três partes suas pra so um coração
Uma conta inteira e indivisivel
Uma singela demosntração do impossível
Mas que já vem com variéveis reais

Não sou mais o mesmo de antes
Já não fico na esquina esperando
Quero juntar seus pedaços
Quero juntar seu corpo
Quero juntar você a mim

E como um vaso remendado, colocar seu mais doce nectar
E beber cada gole como se fosse o último.

O seu caminho é em minha direção... somente isso!

domingo, 20 de outubro de 2013

Trecho de "Antes das Seis" - Exposição



---Não que eu ache desnecessário a exposição da extrema felicidade
alheia. Mas se você está realmente feliz não tem tempo pra coisas
como exibicionismo. Deixe isso pros inseguros. Que tem que á todo
tempo que provar que são seguros, felizes, descolados e divertidos.

---Esso é seu velho discurso anti-felicidade, Beatriz. Você prefere
ouvir lamentos que comemorar vitórias...

---Longe disso! Não suporto quem espalha as dores de uma vida mal
sucedida ou de seus problemas mais rasos. Espero somente que a
pessoa, ao invés de perder tempo reclamando, faça algo realmente útil
pra tentar sair dessa.

---Sua luta então é contra a exposição dos sentimentos?

---Não, minha cara. Minha "luta" é contra a perda de tempo com a
exposição de coisas pessoais para pessoas que não se importam o
suficiente com você nem pra chorarem sua derrota muito menos sorrirem
com sua vitória! Minha "luta" é a favor de somente viver a vida e não
precisar falar pra multidões que estou feliz ou triste, preocupado ou
esperançoso, amando ou odiando...

---Mas você já realmente amou alguém?

---Você sabe muito bem que não...

---Então não sabe o que é querer que até o Papa saiba que sua
felicidade é tão intensa que não importa se amanhã o sol não apareça
ou que a lua se derreta feito queijo suíço... só importa você e seu
amor...Só importa o seu coração pulsante e cheio de vida, disposto a
gritar para o mundo inteiro ouvir: "ESTOU AMANDO AQUELE FILHO DA
PUTA!".

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Trecho de "Antes das Seis" - MEDO

"...Retiram palavras de onde não imaginavam sair. Retiram os sonhos de onde pensavam estar abandonados. Pecam em tentar entender o que na hora não precisa de espaço. Mas se enganam a cada frase jogada em suas bocas. Eu vi!!! Era o que me bastava, afinal...

---Mas se um dia eu conseguir não acreditar em suas promessas, ficarei a mercê da minha sorte em continuar. Pois até então o que tens me feito é mostrar que nada daquilo que eu pensava ter desistido morreu de fato em mim. Que o que eu achava não querer, surgiu como um vento em meu rosto. E me mostrou, acima de tudo, que preciso demais do seu abraço, do seu beijo, da sua voz ao meu ouvido, de você... Completo...


---Mas se eu mentir? Se não der certo? E se eu não for pra Vc?

---Estou preferindo arriscar com o coração do que me arrepender depois com a razão... Se não der certo foi um risco. Mas se der certo seremos todos vencedores e merecedores dessa felicidade.

---Queria ter a sua coragem!

---Isso não é coragem, seu tolo! Isso nem sequer é algo sábio. Isso é viver!!! E quem vive sem arriscar, está arriscando viver uma vida vazia. Recebendo somente as sobras que a vida te deixar!

---Sou grato por ter Vc do meu lado. Sinto que vivo algo especial nesse momento. Mas ainda tenho medo. Não me sinto preparado.

---Segure minha mão e venha comigo. Eu te mostrarei o caminho mais curto pra felicidade. Pode não ser o mais seguro, mas o que vai te proporcionar a melhor recompensa.

---Me entenda e deixe o tempo passar...

---Um dia Vc será so meu!"

Trecho de "Antes das Seis"

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Amanhã Cedo

Quando o sol nascer já não estarei aqui.
Estarei no caminho que me sobrou
No lado errado da cama que você me jogou
No suspense que me fez passar...

Quando acordar não sentirá minhas mãos em suas costas
Nem meu beijo no seu bom dia
Nem minha boca em sua testa
E muito menos seu alívio em meus lábios

Estarei a caminho da certeza
De algo que me alivie de manhã
Que me conforte ao dormir
E não que me faça querer afirmar

Quero que me tenhas como algo bom
Algo que te fez sentir especial
Maravilhosamente intenso
Intensamente Prazeroso!
Prazerosamente verdadeiro...

Quando acordar terás que fazer seu próprio café
Mas não use a água da pia
Use as lágrimas que derramaras
E faça o mais doce néctar que se terá noticias

Pois o que sairá de seus olhos não será nada salgado
Será doce!
Como a boca que colou na minha
Como o líquido que sugou de mim
Como a chuva que insistiu em trazer
Como o vento...

Que não pude sentir em meu rosto!

Quando você acordar não me encontrarás ao seu lado...
Pois fui somente um sonho
E logo serei esquecido!

domingo, 29 de setembro de 2013

Disfarces

Me passo de inútil em seus braços
Só pra não ter que me esconder de seus usos
Me faço de fácil nos seus abusos
Só pra te ter do melhor lado

Me escondo atrás de qualquer sinal
E sempre me esqueço do que quero

Passo o dia finalizando sonhos
Induzindo erros
Conduzindo lábios
Raspando em riscos
Riscando nomes
Apagando medos...

Me passo nos dois caminhos que me deram
Mas só consegui seguir o mais difícil
Minto pra mim dizendo que sei onde estou
Quando na verdade entrei num quarto escuro

Medo não existe
Coragem não existe
Expectativas não existem
Sentimentos... nunca vi

Só me quero do jeito que te quero
Só me abro do jeito que te abro
Só acordo se você me acordar
Caso contrario prefiro dormir o seu sono

Só me desejo o que desejas pra mim
Só me cubro com o que sobrou de você
Sinto pena daqueles que me deixaram
E não consigo me ver nos braços alheios

Leia o que eu escrevo e perceberá:
Sou um hipócrita em sua presença!

Me leve... mas me deixe na próxima esquina!!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Armado

Quando estou do seu lado me sinto armado
Mas não igual ao guarda que faz a ronda noturna
Ou o bandido que sai pro maldito ócio

Me sinto alto!
Me sinto embriagado!

Quando estou ao seu lado estou armado até o ultimo talo
Do topo da arvore da pra ver minha alegria
e do meio de sua silhueta da pra notar o meu calibre

Quando estou ao seu lado me sinto um coronel de livre expressão
como se a junção do certo e errado se da com um simples sussurro
E se for ao pé do ouvido com certeza verá minha livre expressão

Quando estou ao seu lado só penso em estar em você
Estar no centro de um furacão latejante
De cinzas escaldantes
De jatos d'águas verticais e intensas
De "NÃO's" delirantes
De sonhos errantes
De mundos tortos
De cabeças inanimadas pensantes
De chuvas de balas molhadas e ácidas
De NADA, Pra nada e do nada
De tudo aquilo que quero e não posso
De seus desejos que outrora foram certos
Mas que agora são simplesmente erros gostosos


Quando estou ao seu lado...

Pronto, já foi!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Trecho de "Antes das Seis"

"--- Eu só serei seu erro se você me ter!! Sem isso, serei só um pensamento desconjuntado que você insiste em esquecer.
--- Está sendo um erro! O simples fato de estar aqui é um equivoco... principalmente depois de tudo que passei...
O silencio era o som mais doloroso que ele poderia ouvir naquele momento. Mas teve coragem, depois de alguns minutos, de quebrá-lo com um pedido:

--- Me beije como se tivesse errado ao acertar, então!"

(Antes das Seis)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sou Caso A Repensar, Ler, Escrever e Tentar

Quando paro pra ouvir, tenho certeza que direi:
Era isso!
Quando penso em te dizer, tenho em mente, somente:
Ria!
Quando me pego a esperar o toque, só vejo:
Risos...
Quando me despeço, só espero um:
Até amanha!

Mas não fico só na espreita
Não fico na sombra esquentando minhas mãos.
Desejo desejar como se me sobrasse apenas isso.
Me enrolo em mil lençóis pra não demonstrar.
E de nada adianta afinal...

Abro os olhos e vejo as horas.
Falta tempo...
Seguro mais uns passos e fico!
Falta mais um pouco...
Mexo em memórias e espero que tudo isso se vá.
Falta mais espaço...
Abro a porta e você chegou!
Já não falta mais nada...

Duas ou três palavras depois e eu já nem estou mais aqui...

Estou acima do mundo!!!

sábado, 10 de agosto de 2013

Deixa ser

Não me peça que eu te explique de onde venho.
Não sei nada além daquilo que sinto.
Sou produto disso que você vê:
do presente, do imediato.

Sou nato
e do natural fiz minha sombra.

Não quero parecer algo que, de vez em quando, você enxergue nos seus sonhos.

Quero ser eu!
Seja esse eu quem eu quiser.

Quero agredir sem ferir.
Quero submissão sem pedidos.
Quero justiças sem julgamentos...
Quero amores... sem pesar.

Me ame pelo que sou
E não pelo que fui.
Me julgue pelo presente
e não pelo antigo artigo de luxo
que tinhas na sua prateleira

Me deseje pelo agora
E nunca pelo distante tempo que fiquei

Sou frágil
Pode não parecer
Mas sei exatamente onde estar
Quando você desabar:

Nos seus longos e suaves braços de porcelana.

Pois não só de nostalgia vive um ser medíocre
Mas sim de sonhos!
Sonhos esses formados daquilo que a gente um dia uniu
Um dia juntou
Um dia sonhou:

LUZES...

Vejo que o dia já terminou
Vejo que o tempo já passou
Vejo que o que vejo é agora realidade
E que os meus antigos sonhos são agora
um tapete


Pros novatos limparem os pés.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Vozes...

Venha e me busque.
Me leve, me arraste
De leve para seu altar
Quero ser rei do seu momento
Quero ocupar todos os seus pensamentos
Ao menos uma vez quero ser seu objetivo

Não quero passar despercebido,
como uma lâmpada acessa ao meio-dia
Quero ser a lanterna que ilumina seu caminho pela mata
Forte, incandescente, elegante, discreto...

Venha e me conte os segredos que nem sabia que existiam
Me fale sobre o que a vida reservava pra mim
Antes de tudo isso me levar ao fim

Mas não me poupe de boas verdades
Me mostre que fui tolo, inocente e boçal
Me apanhe pelos cabelos e arraste meu rosto em suas lembranças

Quero ter a esperança de ter feito tudo isso
no intuito de acertar

Venha, mas não demore
Cansei de ser pensamentos negativos dos outros
E agora quero ser seu único ponto a conquistar
Nem que seja por um minuto

Deixe me ser seu senhor
Deixe me ser sua caça, sua taça
Me arranque os sonhos que tenho
e ponha rosas no lugar

Mas não quero espinhos
Deixe esses pros amigos que me sobraram arranca las por mim
Se ainda assim são de verdade
Deixe que eles se machuquem com esse trabalho
e que manchem meu caminho com o sangue pingado de seus dedos.

Venha, querida...
Esse dia sempre chega...
E, pra mim, já chega de esperar.

Estarei na porta com vinho e 3 maças te esperando
Conte até nove antes de pronunciar meu nome.
E me deixe escolher a ultima canção que escutarei:
"Under Control"

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Chuvas de Carnaval

 Mãos gélidas
Abraço ofegante
Palavras presas na boca
Línguas soltas no céu
Pensamentos rodopiando na cabeça
E a chuva cai...
Roupas molhadas
Cabelos molhados
Coração batendo a mil
Te abraço e sussurro
Palavras que já nem lembro
E a chuva para...
Crescente desejo
Não era medo, afinal
Não era duvida
Não era nada...
Foi a chuva que te trouxe
Foi a chuva que te levou
E a mesma chuva
Te traz de volta
Só que agora em forma de saudade!


18 Fevereiro 2008

Escuro

Os anjos da noite me escoltam
até o meu lar.
O lugar onde repouso meu cansado corpo.
E tal cansaço é feito de prazeres incertos.
Amores distantes e simples futuro...

Sou entregue a nobreza e com isso me perco no mundo
Não sei mais de onde vim
Talvez, não saiba nem mesmo quem fui...

Sou feito da dor
e dessa dor extraio tudo o que quero
Só não posso me afastar dela.
A dor me consome
Ela me usa
Sou seu escravo e não tenho mais paz
Da amargura fiz minha casa

Da depressão criei minha bíblia
Do ódio costurei minhas roupas
e do amor fiz meu lixeiro...
Lixo e ilusões!

Fevereiro 2008

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Terças


É o frio!
Ou a falta dele que nos faz suar.

Não se incomode pelo simples estado natural.
Pela simples resposta curta
Pra aquela pergunta séria
Que insistimos em fazer

Não pense que o próximo passo seja o mais difícil
As coisas não funcionam com razão.
Ninguém tem razão!
Ninguém tem nada...

Somos soltos num mundo sombrio
Qualquer coisa diferente disso é mera ilusão
Falso sentimento de posse
Ossos presos em carnes podres

Sinta o frio e a frieza
Seja forte enquanto nobre
Esteja vivo enquanto pensa...

Mas seja eterno... e não curto!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Trecho de "Antes das Seis"


"É só me dizer o que tenho que fazer!
Só isso!
Não entendo metade de seus anseios e menos ainda suas atitudes.
Não quero continuar a andar por ai, como se o único objetivo que eu tenho
é encontrar um novo porto seguro. Uma nova companhia.
Um novo carnaval.
Sigo em frente, como se todas as coisas que já fiz me empurrassem.
Não pra um abismo.
Não pro desconhecido.
E sim, pra longe de seus braços.
Que hoje me sufocam mais do que a solidão...

--- Apenas um tchau bastaria pra mim...

--- Um "adeus" doerá mais aos seus ouvidos!"

Trecho de "Antes das Seis"

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Trecho de "Antes das Seis"


"...sentia-se como se o mundo estivesse em sues pés!
Era a felicidade que havia entrado de vez em seu mundo.
Mas não era mais "seu mundo"... era dele também.
Deixou o egoísmo, as desconversas, as intimidações, frases feitas e as indiretas.
Sobrou a paz.
E ela insistia em dizer que chegara pra ficar.
Não existiam dúvidas quando estavam juntos.
Ou quando simplesmente pensava nele.
Parecia viajar.
Mas a saudade era o cobrador.
E tem coisas na vida que nem sempre são pagas com dinheiro..."

(Um dia termino de escrever rsrsrsrs)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Entre


Te desejo...
Te vejo como um rosto no escuro
Um vislumbre de um objeto inalcançável
Desço todos os pedaços que consigo num único salto
e projeto uma face nessa lembrança quase morta

Não quero somente sentir esse calor por alguns minutos
Quero possuir esse por todos os lados que eu puder
Quero ter o direito de invadir sem permissão
De te sentir sem dizer palavras
De não haver barreiras nem preguiças entre o desejo e o fato

Mas não quero somente querer

Desejo que você deseje
Quero o que você não quer
Olhar pelos seus olhos e ver aquilo que ainda não vejo
E só depois me permitir ser seu

Te fazer sentir.
Te fazer minha.

Pra que no fim, no meio e no alto de tudo isso.
Você possa olhar pra trás e perceber
Que não havia nada entre nós...
Apenas nós

18-02-13

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Trecho de "Antes das Seis"

"-Eu nunca escondi nada! Eu não sou ninguém! 
Eu sou apenas um nome falso escrito num guardanapo sujo.
Eu sou apenas um número de telefone que somente você pode usar! 
Eu sou apenas um mero desconhecido intimo seu.
Sou um sonho... seu sonho.
Nunca fui nada alem disso. De um fantasma criado apenas pra você."

Trecho de um livro que  quero terminar de escrever!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cebolas Mortas


Uma lágrima solitária cai do olho de um estranho.
Ela me pertence.
Ela é minha.
Minha lágrima revoltada.
Sabe que não teria liberdade em meus olhos.
Sabe que prometi não mais chorar por cebolas mortas.
E muito menos por ilusões promíscuas.
Vai, minha filha!
E molhe o rosto de outro iludido.
O meu já esta molhado com a água da pia...

(07-04-12)

A Morte do Medo


Somente sozinho você é honesto.
Somente sozinho você consegue ser verdadeiro consigo mesmo.
Não há como esconder seus medos ou suas ansiedades.
Não existe um meio de ignorar ou mentir.
É só você que se conhece.
É só você que chora sem remorsos ou vergonha.
Derrama suas lágrimas sem se importar com um nariz vermelho ou as secreções nasais que escorrem.
Chorar de rir, de angústia, de tristeza e principalmente de medo.
Medo da morte, medo da vida. Medo dos mortos, medo dos vivos.
Às vezes não se sabe diferenciar.
O que é pior?
O que seria pior?
Pelo que seria melhor chorar?
De medo?
Às vezes não se sabe diferenciar.
Mas ainda assim se consegue sentir medo.
Sozinho!
Só seus próprios barulhos te atrapalham.
Só seu soluçar te tira a concentração e lhe dá arrepios.
Por que o silêncio é tão devastador?
Por que a necessidade de se criar um barulho para afastar o receio da ausência do som?
Será que o silêncio nos faz ouvir o que realmente pensamos?
Será que só assim aceitamos nossos defeitos?
E quanto ao escuro?
Ah, o escuro!
O Medo do desconhecido à flor da pele.
O que será que há a dois centímetros de onde estou? --você pensa.
O que há do outro lado da sala?
O que há do outro lado da rua?
O que há do outro lado da vida?
O que é a morte?
Medo, somente?
Medo do desconhecido.
É o escuro e o silêncio personificados.
É a sua solidão no meio do nada.
É a sua vida no meio de tudo.
É o seu corpo no meio da sala.
É você... somente você no seu universo.

(12-04-10)

A Espiral do Silêncio




Silêncio...
Da saudade se fez o vento.
Das nuvens fizeram sonhos.
Com minhas lágrimas regaram as rosas vermelhas do jardim.
E tentaram me esconder do mundo!
Ainda era forte!
Eu ainda sabia voltar pra casa!
Mas o medo morava ao meu lado.
E ao lado do medo moravam as dúvidas.
Aguçadas dúvidas sobre o mundo.
Sobre o meu mundo.
Sobre a minha vida!
E minha vida se resumia em um único nome.
E desse nome construíram sonhos.
E desses sonhos fizeram a força.
E foi por essa mesma força que caí...
Já não era nada!
Já não era forte!
Já não sabia voltar pra casa!
E fiquei ali, jogado no chão.
Silêncio...
...
...
...
...
...
Só o silêncio conseguiu me convencer!

(18-06-08)

Júlia


A noite estava clara e as estrelas pareciam conversar com ela. Sentada na varanda, Júlia não tinha mais dúvidas. A certeza cobria todo o seu corpo e a aquecia como um cobertor. Não tinha muito que pensar. Suas coisas mais valiosas cabiam sem problemas em uma pequena mochila. Ela sabia que o que contaria mesmo era a razão, o motivo disso tudo. Já não pensava em mais ninguém. Era madura suficiente para decidir fugir. Já não se preocupava com ela mesma, pois o medo iria afastá-la ainda mais de seu amor.
Ela deu mais uma olhada para o céu, fechou os olhos e pensou nele. Pensou no pouco mais intenso momento que passaram juntos. Pensou na sua vida antes de conhecê-lo e de como pedia a Deus todas as noites por alguém como ele.
Com certeza não era mais uma garotinha. Ela sabia o que sentia. E sabia que não era somais um capricho seu.
Júlia suspirou fundo e subiu. Foi até o seu quarto, pegou uma mochila e começou a colocar suas coisas. Não sabia o que deixar pra trás. Cada objeto que ficava de fora era como se deixasse um filho pra trás.
Mas como se uma pedra a acertasse na cabeça, Júlia percebeu que nada daquilo teria mais importância. Tinha vivido toda a sua vida se apegando a sentimentos e coisas banais, e agora, já não dava tanta importância àquilo tudo.
Esvaziou a mochila, pegou duas blusas e uma saia, três ou quatro objetos pessoais e pronto. Só iria precisar disto.
Colocou a mochila nas costas e desceu as escadas.
Por um momento pensou em seus pais. O que eles iriam pensar dela?
Mas logo apagou aquele pensamento.
Pela primeira vez em todos os seus 18 anos, Júlia foi egoísta. Na sua cabeça só havia um pensamento: Eu quero ser feliz!
E ela sabia que havia apenas um caminho.
Destrancou a porta com cuidado. Quando ia saindo se lembrou de algo.
Jogou a mochila no chão e correu para o seu quarto. Abriu a gaveta de calcinhas e procurou o mais fundo possível. Até que seus dedos tocaram a fotografia. Puxou-a entre os dedos e a encarou. Era uma foto dele que ela ganhou na sua despedida.
Júlia acariciava a foto como se tentasse tocá-lo.
De repente uma lagrima solitária desceu de seu olho.
Ela se lembrou daqueles momentos com ele. Os momentos mais felizes de sua vida.
Júlia sentou no chão do seu quarto olhando a foto em suas mãos.
Foi aí que, pela primeira e talvez única vez em toda a sua vida, Júlia sentiu o sentimento máximo que move cada ser humano na terra. Foi ali, sentada no chão do seu quarto, que ela pronunciou as três palavras mais belas que uma boca pode dizer. Júlia apertou a foto entre seu peito e disse: EU TE AMO!
O seu mundo parou. Já não ouvia mais nada. As lágrimas cessaram e o seu coração parou de bater. Foi apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade.
Júlia tinha descoberto o amor da maneira mais pura e inocente que pode existir.
Logo aquela alegria se transformou em desespero.
Guardou a foto no seu bolso e voltou para a porta de sua casa. Pegou a mochila do chão e trancou a porta.
Decidiu não olhar para trás. Tocou o bolso onde estava a foto e suspirou.
Começou a caminhar sem parar pela noite clara e deserta.
Júlia já não era mais criança.
Assumiu sua maturidade e foi fazer o seu próprio destino.
Deixou o mundo quente e protegido dos seus pais e se aventurou no sombrio mundo adulto. O mundo real.
Mas nunca se arrependeu disto. Ela foi atrás do que te deixava feliz. O que lhe fazia sentir viva. Preferiu se aventurar ao ficar a mercê do tempo e do destino.
Até hoje guarda aquela foto.
Até hoje guarda aquele amor.

(Goiânia, 2008)